Naval 3 - Académica 1
Liga Zon Sagres - 19J
Estádio Municipal José Bento Pessoa
13-02-2011 - 16h
Naval: Salin, Carlitos, Gómis, Real, Camora, Curto, Godemèche, Edivaldo Bolívia (Giuliano 45), Marinho (Rogério Conceição 55), Fábio Júnior e Michel Simplício (João Pedro 69)
Suplentes: Bruno Jorge, Daniel Cruz, Alex Hauw, Previtali,
Treinador: Carlos Mozer
Académica: Peiser, Pedrinho, Pape Sow, Berger, Hélder Cabral, Diogo Melo, Bischoff (Laionel 62), Adrien, Diogo Valente (Júnior Paraíba 72), Sougou e Miguel Fidalgo (Luís Nunez 23)
Suplentes: Ricardo, Hugo Morais, Ederzito, Diogo Gomes
Treinador: José Guilherme
Ao intervalo: 2-0
Golos: 1-0, Gómis, 22 minutos (gp); 2-0, Michel Simplício, 40; 1-2, Sougou, 50 (gp); 3-1, Giuliano, 86
Árbitro: Carlos Xistra (AF Castelo Branco) nota 4
CA: Edivaldo Bolívia (27), Marinho (39), Diogo Melo (60), Godemèche (85)
CV: Pape Sow (20), Gómis (50)
Espectadores: 988
Crónica:
MF: Exactamente 11 meses e um dia depois da última vitória em casa, a Naval voltou a conhecer esse doce sabor. O regresso aos triunfos, depois de tanto tempo, aconteceu diante do adversário perfeito, o rival da capital de distrito, a quem os figueirenses tinham vencido enquanto visitados apenas por uma vez.
Vencer a Académica não só permitiu quebrar o recorde maldito como significou a saída, definitiva, do último lugar da tabela, onde a equipa tinha caído desde a nona jornada. A satisfação só não foi maior porque o Rio Ave ganhou e manteve a linha-de-água a quatro pontos mas, agora sim, os navalistas acreditam.
Carlos Mozer já fez oito pontos em cinco jogos, mais do que Zvunka e Rogério Gonçalves juntos (cinco) e somou a segunda vitória ao leme da equipa. Mais: os figueirenses perderam apenas uma vez, no Dragão, e marcaram em todos os desafios.
Quanto a José Guilherme, ainda anda à procura de um triunfo no Campeonato e somou apenas dois pontos, no mesmo número de partidas na principal competição. Claro que nem tudo é da sua responsabilidade. A Académica não ganha para a Liga desde 26 de Novembro, em Setúbal, que é, também, o último triunfo da equipa como visitante, ainda sob a vigência de Jorge Costa.
Estudantes sem antídoto para Fábio Júnior
A Naval começou cedo a encostar o adversário às cordas. Sempre que tinha a bola, Fábio Júnior impunha um ritmo impossível de suportar para Pape Sow e demais companheiros da defesa. O brasileiro ameaçou, tal como Godemèche e Simplício, e começou a resolver a partida quando sofreu grande penalidade devido a uma entrada extemporânea de Sow. O senegalês voltou a ser expulso e Gomis, da linha de onze metros, não perdoou perante o ex-colega Peiser.
Em maus lençóis, a reacção dos estudantes foi praticamente inexistente. As dificuldades em sair para o ataque, agora sem Miguel Fidalgo devido aos ajustes que foi preciso fazer lá atrás, deixavam os da casa à vontade. Tão à vontade que o 2-0 não tardou, no aproveitamento perfeito de um erro de Peiser, que, ao querer aliviar para fora, colocou a bola em Marinho, que serviu Simplício para o golo. Na resposta, Sougou falhou de baliza aberta. Desnorte total da Briosa!
O intervalo fez bem aos de Coimbra. Apesar de jogarem com 10, mostraram-se mais organizados e decididos. O golo de Sougou, novamente na conversação de uma grande penalidade, deu novo alento aos homens de José Guilherme até porque Gomis também fora expulso.
O equilíbrio voltou e a Académica forçou o empate mas acabou por sofrer o 3-1 num lance de contra-ataque em que Fábio Júnior, para não variar, teve papel decisivo. Nos confrontos com as equipas da região centro, a Briosa mantém a tendência de não conseguir resistir aos vizinhos.
AAC-AOF: Académica perdeu com a Naval por 3-1 em jogo que contou para a 19ª jornada da Liga ZON Sagres. A Briosa viu-se reduzida a dez aos 20 minutos e a expulsão de Habib acabou por condicionar a estratégia delineada por José Guilherme, que viu os rivais da Figueira da Foz aproximarem-se dos "estudantes" na tabela classificativa.
A Briosa até entrou melhor na partida mas, aos poucos, os comandados de Carlos Mozer subiram de rendimento e criaram algumas situações de perigo junto da baliza de Peiser, sobretudo através do veloz avançado brasileiro Fábio Júnior, uma autêntica seta apontada à baliza da Académica.
Aos 20 minutos, altura em que os homens da casa procuravam ganhar algum ascendente no meio campo visitante, Habib fez falta dentro da área e Carlos Xistra assinalou a grande penalidade que deu vantagem à Naval. Gomis enganou Peiser e Habib seguiu o caminho dos balneários, com a Académica reduzida a dez elementos.
Já com Luiz Nunes em campo, que entrou para o lugar de Miguel Fidalgo, a equipa de José Guilherme ia procurando chegar ao empate mas seria novamente a Naval a adiantar-se no marcador. Aos 40 minutos, Michel Simplício atirou a contar para as redes da Académica e a Briosa foi para intervalo a perder por dois golos de diferença e a jogar com menos um.
O cenário não era o melhor para os "estudantes" mas a verdade é que se alterou substancialmente no minuto 50 quando Gomis parou em falta, dentro de área, uma arrancada fulminante de Diogo Valente. O central da Naval recebeu ordem de expulsão e Sougou converteu em golo aquele que seria o único tento da Académica em todo o jogo.
O horizonte estava menos negro para os "estudantes" e, já com Laionel e Júnior Paraíba em campo, foram algumas as oportunidades que a Briosa dispôs, sendo que pertenceu ao 88 da Académica a mais flagrante mas o remate saiu torto...
Quem não marca sofre e a Naval, já perto do fim, por Giuliano, confirmou a vitória e estabeleceu o resultado final em 3-1. Na próxima jornada, a Académica recebe o Rio Ave.
Destaques
MF:
Fábio Júnior
Abriu o caminho para a vitória ao conseguir a grande penalidade de que resultaria o primeiro golo da partida. Mas já tinha deixado a sua marca anteriormente com uma série de iniciativas que ajudaram a deitar o adversário ao tapete. Mesmo com menos bola, na segunda parte, continuou a não dar sossego à defesa académica. Prova disso foi o lance do 3-1, em que sentou Peiser, antes de servir João Pedro.
Simplício
Na esquerda ou no centro, depois do vermelho para Gomis, foi um quebra-cabeças para a Académica pelas arrancadas em potência e velocidade. Apontou o segundo golo da equipa e manteve a baliza de Peiser sempre debaixo de mira.
Marinho
Jogou com tanta impetuosidade que cedo foi «amarelado» mas não perdeu o discernimento. Decisivo no lance do segundo golo figueirense, ao «adivinhar» a intenção de Peiser: captou a bola antes que saísse e coloco-a à mercê do remate vitorioso de Simplício.
Diogo Valente
De longe o elemento mais esclarecido do ataque estudantil e também o mais lutador. Apesar de cedo ter deixado de ser extremo para passar a jogar no centro, conseguiu escapar à vigilância dos centrais da casa por diversas vezes. Mas a sua melhor acção foi mesmo o penalty que conseguiu num lance de grandes dúvidas com Gomis, levando ainda o francês a ir ao banho mais cedo.
Sougou
Registo curioso do senegalês que marcou por quatro vezes nos últimos cinco confrontos com a Naval. Depois da saída de Miguel Fidalgo, sacrificado pelo reajuste táctico após a expulsão de Pape Sow, passou a ser a principal referência ofensiva da equipa, não defraudando as expectativas.
O Jogo:
Naval
Carlitos | Enorme dinâmica. Dos seus pés saíram muitas das jogadas perigosas da Naval. Cumpriu a defender.
Simplício | Depois de mais de dois anos sem marcar para a Liga, facturou em duas rondas seguidas. Um criador nas alas.
Manuel Curto | Jogo de grande sobriedade táctica ao que se acrescenta uma boa capacidade para assumir a primeira fase de construção da equipa.
Académica
Diogo Melo | O jogador com sinal mais da Briosa, que com bom posicionamento impediu que a equipa se desmoronasse nos piores momentos.
Diogo Valente | Ganhou o penálti que devolveu a esperança à equipa e travou um duelo de duros com Carlitos.
Luiz Nunes | Entrou a frio e limitou-se a cumprir e a não inventar, ao fim ao cabo o contrário do que Pape Sow havia feito.
Opiniões
Carlos Mozer (Naval):
«Estamos a trabalhar para conseguirmos a manutenção e temos a segunda volta para somar pontos. Hoje, tínhamos a oportunidade e materializámo-la. Estivemos muito bem, frente a uma boa equipa. Penso que a vitória não oferece contestação. Entrámos bem e isso possibilitou-nos chegar ao 2-0. A Académica trabalhou melhor na segunda parte mas nós estivemos sempre organizados. O terceiro golo surge numa altura de maior risco do adversário e assim matámos o jogo. Estamos no caminho certo para diminuirmos a diferença os nossos rivais directos. Foi uma vitória importante pelo tempo [11 meses] que a Naval não vencia em casa e por ter sido num derby do centro. Mas também há que destacar que fizemos seis golos nos últimos dois jogos.»
José Guilherme (Académica):
«Hoje faltou-nos jogar os 90 minutos. Demos 45 minutos de avanço ao adversário. Os jogadores entraram desconcentrados e apáticos, e, ao intervalo, a Naval estava a vencer de forma merecida. Na segunda parte, entrámos melhor, podíamos ter chegado ao empate, mas não fomos felizes. Penso que o resultado acaba por ser exagerado, porque não merecíamos perder 3-1. Apesar de não ter sido muito bem jogada, na segunda parte estivemos mais perto do 2-2 do que a Naval do 3-1. Hoje, a equipa falhou na globalidade, com muitos erros provocados por desconcentrações. Temos de ganhar o próximo encontro, contra o Rio Ave, porque é um jogo com um adversário directo. Mas aí vamos ter de jogar concentrados desde o primeiro ao último segundo, não pode acontecer o mesmo de hoje.»
Berger, central da Académica:
«Hoje, todos viram como correu o jogo. Entrámos logo a sofrer uma grande penalidade, e uma expulsão, o que tornou a nossa entrada no jogo muito difícil. A nossa primeira parte foi muito má, mas a segunda foi um pouco melhor. Não penso que entrámos desconcentrados, mas é muito difícil estar logo no início a jogar com menos um jogador. Penso que o resultado é justo porque só jogámos na segunda parte. Temos de melhorar, obviamente.
[sobre o próximo jogo] Todos os jogos são importantes. Eu acredito muito na nossa equipa porque temos jogadores com grande carácter, e temos de o mostrar contra o Rio Ave.»
Fábio Júnior, avançado da Naval:
«Vencemos logo num clássico importante e estes três pontos serão muito importantes para sair do lugar em que nós estamos. Temos condições, se continuarmos unidos, para dar a volta à situação. Vamos trabalhar para isso. Com a vontade de todos e também um pouco de sorte, vamos chegar lá. Sem beliscar os treinadores anteriores, a verdade é que o Mozer ter passado uma maior confiança para nós.»
Lances Chaves
Pape Sow tem sido o "patinho feio" da Académica nas últimas jornadas e ontem ao cometer um penálti, sendo expulso tão cedo, estendeu a passadeira à vitória da Naval. O senegalês derrubou Fábio Júnior, Gomis marcou dos 11 metros e tudo ficou difícil para a Briosa.
Minuto a minuto
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90+3' Final da partida.
90' vão ser jogados mais três minutos.
87' GOLO DA NAVAL. Fábio Júnior ultrapassa Peiser, cruza para João Pedro que cabeceia contra Luiz Nunes. A bola ressalte novamente para João Pedro, que serve Giuliano a encostar para o golo da tranquilidade.
86' Júnior Paraíba em ótima posição, dentro da área para marcar atira para as nuvens.
85' CARTÃO AMARELO para Godeméche.
Nesta altura da partida, as duas equipas disputam o jogo a meio-campo, não conseguindo chegar às áreas adversárias com perigo.
74' Godeméche, dispara forte, ligeiramente por cima da baliza de Peiser.
73' Cruzamento para a área academista, a bola ressalta para Carlitos que, em boa posição...atrapalha-se com a bola e deixa-a sair pela linha de fundo.
71' SUBSTITUIÇÃO NA ACADÉMICA. Sai Diogo Valente e entra Júnior Paraíba.
69'SUBSTITUIÇÃO NA NAVAL. Sai Michel e entra João Pedro.
61' SUBSTITUIÇÃO NA ACADÉMICA. Sai Bischoff e entra Laionel.
60' CARTÃO AMARELO para Diogo Melo.
57' Bischoff isola Diogo Valente, que apertado por Salin atira contra o guardião figueirense.
55' SUBSTITUIÇÃO NA NAVAL. Sai Marinho e entra Rogério.
51' GOLO DA ACADÉMICA. Penalti marcado por Sougou.
49' CARTÃO VERMELHO para Gomis. Penalti para a Académica.
46' Michel Simplicio dispara uma bomba de longe, com a bola a sair ligeiramente por cima da baliza academista.
45' Começa a segunda parte. Sai a Académica.
SUBSTITUIÇÃO NA NAVAL. Sai Bolivia e entra Giuliano.
Intervalo
45+1' Termina a primeira parte.
41' Bischoff isola Sougou, mas o senegalês na cara de Salin atira ao lado da baliza da Naval.
40' GOLO DA NAVAL. Peiser alivia a bola para a linha, Marinho recupera e centra para o segundo poste onde surge Michel Simplício a rematar para o fundo da baliza da Académica.
39' Cruzamento de Pedrinho para o interior da área onde surge Adrien a cabecear muito ao lado da baliza da Naval.
39' CARTÃO AMARELO para Marinho.
O jogo passa agora por uma fase de maior equilíbrio com a Académica, mesmo reduzida a dez, a conseguir chegar mais perto da baliza de Salin.
32' Pedrinho ganha espaço no lado direito do ataque, cruza para o interior da área, mas a defesa da Naval alivia.
28' Sougou ganha em velocidade a Camora, cruza para Diogo Valente mas o extremo cabeceia fraco para as mãos de Salin.
27' CARTÃO AMARELO para Bolívia.
23' SUBSTITUIÇÃO NA ACADÉMICA. Sai Miguel Fidalgo e entra Luiz Nunes.
22' GOLO DA NAVAL. Na conversão do penalti Gomis inaugura o marcador.
20' CARTÃO VERMELHO para Habib. Penalti para a Naval.
19' Carlitos cruza para o interior da área onde surge Fábio Júnior que quase fazia o primeiro de cabeça.
15' Manuel Curto isola Fábio Júnior, o brasileiro remata forte mas a bola sai por cima da baliza de Peiser.
13' Novo remate, agora por Godemeche, com a bola a passar mais perto do poste esquerdo da baliza academista.
12' Remate fraco de Bolívia ao lado da baliza de Peiser.
10´ Miguel Fidalgo descobre Sougou no lado direito do ataque, o senegalês cruza para o lado oposto mas Diogo Valente não consegue chegar a tempo e a bola perde-se pela linha lateral.
8' Na sequência de um livre direto Manuel Curto remata mas a bola embate na barreira.
4' Fábio Júnior consegue arranjar espaço para rematar à baliza de Peiser, mas a bola passa muito por cima.
0' Início da partida. Sai a Naval.
Apesar da forte chuva que se tem feito sentir na Figueira da Foz, o relvado do José Bento Pessoa parece estar praticável.
Árbitro
Carlos Xistra - nota 4
Podia ter sido protagonista do jogo, mas preferiu não o ser e é isso que se quer num árbitro. O árbitro limitou-se a aplicar as leis nos dois penáltis assinalados e foi por isso assertivo quando mais foi necessário.





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