18 de maio de 2012

Artur Jorge recorda final de 1969

Por mais poesia (e nostalgia) que haja nas fotos e textos da Académica, em 1969, a jogar numa final da Taça de Portugal com o Jamor ao fundo, o futebol sempre foi um ato de «felicidade e união do povo». Artur Jorge, o jogador que em 1969 não foi a jogo, recorda, ao zerozero.pt, o dia 22 de junho daquele ano, onde a Académica, de Francisco Andrade, se encontrou com o Benfica, de Otto Glória.

Essa final em 1969? «Ah sim, lembro-me!», começa por recordar Artur Jorge aquele dia em que Eusébio ditou a lei no prolongamento e estragou a festa à Académica, nos idos tempos da crise académica que envolvia a «Briosa».

Nesta entrevista ao zerozero.pt, Artur Jorge recorda, ainda, que «na altura era mais difícil, porque tinhamos de trabalhar e estudar, sendo que o futebol era para as horas vagas. Hoje não é assim. É mais fácil preparar esta partida», palavra de homem do futebol.
Ora, imaginar a Académica naqueles tempos é um exercício «fresco», na memória de Artur Jorge que não nega: «Era uma enorme felicidade representar Coimbra. Lembro-me do orgulho que todos tinham em ostentar aquele símbolo».

Artur Jorge sentiu «o peso do manto negro» durante quatro temporadas, mas naquele dia falhou, por obrigações militares. Hoje, passados 43 anos, Artur Jorge desvaloriza a situação: «Paciência! Não fui porque tinha obrigações de serviço militar, mas os meus colegas mereceram lá estar».

A Académica de então, de Artur Jorge, de Toni e Mário Campos, foi proibida de qualquer manifestação de protesto, mas «obrigamos o Benfica a um esforço tremendo», recorda Artur Jorge, hoje uma figura incontornável do nosso futebol.

A final da Jamor é mítica

Se hoje ir ao Jamor é um dia «diferente e especial» que «dá muito trabalho», na altura «era fruto de muito trabalho e de uma crença grande no seio do grupo», lembra Artur Jorge.

"Académica tem um grupo de rapazes com muita ambição para fazerem história"

Na entrevista e num olhar para o presente, Artur Jorge - treinador - diz estar à espera de «um jogo muito discutido entre duas boas equipas que se vão agarrar com 'unhas e dentes' a este troféu», espera Artur Jorge que faz assim o raio x aos plantéis: «O Sporting tem uma boa equipa com jogadores com muita garra e a Académica tem um grupo de rapazes com muita ambição para fazerem história.»
A terminar, a pergunta sacramental: «Se eu vou ver o jogo? Claro que eu vou ver. É uma partida especial e que não se pode perder», diz, a finalizar com aquilo que, afinal, distingue os «homens do futebol» com muitos anos disto: «Nunca nos podemos desligar totalmente do futebol [risos].

Artur Jorge não desligou a chamada ao zerozero.pt sem soltar um desejo: «Espero que vá muita gente de Coimbra apoiar a Académica. Este povo merecia uma alegria há muitos anos».


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